Felipe Iése


Felipe Iése (Fortaleza, CE, 1993) Artista não binária e afeminada, desenha, pinta e produz figurinos e modelos. Fez curso técnico em artes visuais no Porto Iracema das Artes (2022). Trabalha desde 2016 com trabalhos que abordam a natureza, o cotidiano e as experiências de ser bicha na sociedade, trazendo para as obras a poética do isolamento/exclusão e as emoções que sente. Desde 2016, tem participado de exposições, coletivos de artistas, ações sociais e projetos de arte educação. É gestora e criadora da Galeria Cajueira, espaço digital no Instagram onde posta trabalhos, produzindo diversos tipos de conteúdo, mas tentando fazer tudo com jeito e singularidade, na busca por identidade e fuga das pressões dos algoritmos das mídias sociais.





A primeira individual de Felipe Yése apresenta a artista cujas obras nascem do encontro entre corpos dissidentes, territórios periféricos e sensibilidades que transformam o cotidiano em criações artísticas. Não se trata apenas de pintar, desenhar ou gravar: Yése constrói um campo de forças onde as cores, natureza, cultura carregam intensidades emocionais que se entrelaçam para reconfigurar o modo como percebemos as vidas periféricas de Fortaleza.


Tudo que move é sagrado, 2025
Tinta acrílica sobre tela
100 X 100




Dinâmica dos fluidos, 2025
Tinta acrílica sobre tela
29 X 27 cm


As cores vibrantes de suas telas não funcionam como mero ornamento, tão pouco se trata de pós-fovismo, pois o sol de Fortaleza é sincero ao refletir tons fortes, e na contemporaneidade do traço e da cor, Yése faz uma movimentação afirmativa. Vivendo em contextos que frequentemente tentam reduzir pessoas trans e não binárias à invisibilidade, Yése responde com intensidades cromáticas. Os amarelos que irrompem, os vermelhos que pulsam, os verdes que se expandem dando equilíbrio a obra — opera com gestos políticos, trazendo presenças que não se deixam apagar. As exuberâncias das obras são também gestos de vida.



Sem título, 2025
Acrílica sobre tela.
80 X 40 cm


Natureza cultura se equilibram em sua poética. Cajueiros, frutos, folhas e horizontes abertos aparecem como extensões afetivas da artista, compondo ecologias íntimas que desafiam leituras estigmatizadas das periferias de cidades litorâneas do Brasil. Em vez de escassez, Yése traz as farturas da vida litorânea; em vez da dureza tão presente na iconografia do sertão cearense, Yésé revela delicadeza; em vez dos silêncios, os choros, os dramas vistos e vividos. As paisagens são também personagens — corpos que sentem, sofrem e resistem junto à artista.




Caju, 2025
Tinta acrílica sobre papel
42 X 27,9 cm


Há, em toda a exposição, estesias, intensidades emocionais que se manifestam tanto na escolha das cores quanto na construção das figuras. Corpos cansados, desejosos, que performam também vulnerabilidades sem perder resiliências, forças ou vivacidade. Essas tensões entre as feridas, inclusive a colonial, e os brilhos cria atmosferas que aproximam o público de uma experiência sensorial e afetiva. Yése não explica sua existência dissidente: ela a encarna, a expande com estesias intensas.



Fortalezas,2026
Lápis de cor super soft.
7 de 24 X 33 cm
Dimensão total: 87 X 88 cm

Ao reunir essas obras em sua primeira individual, torna-se evidente que Felipe Yése não busca apenas representação de um determinado território, mas reorganizar o sensível a partir de suas múltiplas vivências. Sua produção afirma a tensão entre periferia e centro como cosmos e corpos dissidente dispostos ao trânsito e ao deslocamento. É uma arte que insiste em existir com intensidade — mesmo quando há locais pré-dispostos a produzir apagamentos.


Coletivo Stum

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Ficha Técnica:

Artista: Felipe Iése

Planejamento - Dan Pelegrin Studio

Design gráfico: Sky

Expografia: Coletivo Stum

Comunicação: Coletivo Stum

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