Gestos que Unnem
A produção de Hécida Mayunne nasce da observação sensível do cotidiano e das pessoas que o habitam. A artista reconhece, nos acontecimentos, as estesias e os smmbolos que dão intensidade à vida. Sua poética se constrói por meio de desenhos, pinturas, fotografias e experimentações gráficas enraizadas em memórias, afetos e presenças.
Sem título, 2025
Tinta nankin sobre papel
29,7 X 42 cm
Sem título, 2025
Laser print sobre papel Aspen
40 X 30 cm
Hécida Mayunne e Dan Pelegrin
Flores com aranhas, 2026
Laser Print em papel Aspen 280 g
30 X 40 cm
Pelas mãos da artista, familiares, amizades, figuras anônimas ou públicas, professores e as crianças que ela cuida e ensina se reconfiguram e são poeticamente rearticuladas, criando vocabulários visuais de múltiplas possibilidades — gestualidades íntimas e políticas.
Sem título, 2025
Tinta nankin sobre papel
29,7 X 42 cm
Sem título, 2025
Laser print sobre papel Aspen
40 X 30 cm
Hécida Mayunne e Dan Pelegrin
Coisas. 2025
Laser print sobre papel Aspen
30 X 40 cm
Desde 2022, Hécida desenvolve práticas que se expandem entre papéis, telas e tecidos, explorando materiais como nanquim, tinta a óleo, tinta acrílica, pigmentos vegetais e processos de impressão. Essa diversidade técnica não se apresenta como dispersão, mas como uma busca coerente por modos de registrar o que permanece em seu cotidiano: rostos, gestos, silhuetas e atmosferas que carregam histórias.
Sr. Pedro o Tio do Repolho, 2025
Acrílica sobre tela
75 X 55 cm
Em obras como Sr. Pedro, o Tio do Repolho, DimDim e Entre Café e Cinzas, a artista compartilha um olhar sensível e atento aos acontecimentos — fatos e narrativas que raramente ganham espaço em noticiários ou alcançam protagonismo em instituições, mas que sustentam a vida de pessoas que, como ela, circulam e transitam das periferias aos centros de Fortaleza. Essa Fortaleza inteira, de ponta a ponta, se inscreve em sua poética. E, ao partir da cidade, das relações íntimas, das pessoas ao seu redor, Hécida toca questões universais sobre cuidado, presença, invisibilidades e modos de existir.
Androgino, 2021/2025
laser Print sobre papel Aspen
40 X 30 cm
Professora Edith Braga, 2021
Tinta sobre tecido
31 X 32 cm
Há, em sua produção, uma tensão
produtiva entre pessoas, estesias e símbolos. Ao atravessar ao “outro lado” — onde habitam a raiva, a dor e a urgência, onde há paredes e discursos
que são também pedras na sandália — emergem respostas de flexibilidade e
possibilidade, liminaridade e limite. É nessa pausa, quando se estica a perna e
se chacoalha o pé, que a pedra se vai.
Sem título, 2021/2025
laser Print sobre papel Aspen
40 X 30 cm
Sem título, 2021/2025
laser Print sobre papel Majorca
30 X 40 cm
Mesmo quando parte de referências
concretas do cotidiano, Hécida propõe deslocamentos e flexibilizações de
fronteiras: o andrógino, o mítico, o ancestral. Trabalhos como Iracema e
Andrógino são criados nos entre-lugares; evidenciam esse trânsito entre
identidades e realidades distintas, sugerindo que corpos podem se estabilizar
nos espaços de passagem, refletir tanto luz quanto sombra, reinventar-se
continuamente — sem abdicar do posicionamento crítico que são também território
de tempestuosas disputas identitárias.
Iracema, 2021/2025
laser Print sobre papel Majorca
40 X 40 cm
Nas exposições das quais participou — da Mostra 8 de Maio à Mostra STUM —, sua obra se insere em contextos de jovens artistas cearenses que investigam o corpo, a memória e o cotidiano como campos de estesia. Na cena plural de Fortaleza, Hécida, porém, se destaca por uma abordagem marcada pela sensibilidade e singularidade, pela delicadeza e pela contundência. Não torna a realidade mais dócil; ao contrário, atravessa-a, revelando nuances, tensões e afetos que muitas vezes permanecem invisibilizados ou relegados ao anonimato.
Sem título, 2021
Lápis sobre papel
21 X 21 cm
Em um tempo marcado pela velocidade e pelo excesso, sua obra insiste na pausa, no olhar demorado, na escuta das histórias que escondem detalhes — e que também se escondem neles. Afirma uma poética que vai do silêncio ao gesto, reinventando-se constantemente.
Entre café e cinzas, 2020
Caneta e pigmento vegetal (café) sobre papel
5 de 30 X 40 cm
Hécida Mayunne (Fortaleza, CE, 2003). Artista visual, graduanda em Artes Visuais pelo IFCE. Trabalha com desenho e pintura desde 2022, tendo também experiências com oficinas, curadoria, arte educação e ilustração no Museu da Fotografia e expografia na Galeria da Casa Absurda. Em 2023 criou e gerencia a Hecobag, marca com espaço no Instagram e em feiras que visa a difusão e comercialização de trabalhos estampados e pintados a mão. Em 2025 participa da 14 Mostra 8 de Maio, na Galeria Antonio Bandeiro no CCBN, da Mostra STUM na Galeria Absurda em Fortaleza, 2025 e em Guaramiranga em 2026.
Sem título, 2021/2025
laser Print sobre papel Majorca
30 X 40 cm
Ficha Técnica:
Artista: Hécida Mayunne - Gestos que Unnem
Planejamento - Dan Pelegrin
Design gráfico: Amanda Nunes
Expografia e montagem: Dan Pelegrin e Hécida Mayunne
Comments
Post a Comment